28/11, às 20h
Teatro Sesc Glória
Av. Jerônimo Monteiro, 428 – Centro, Vitória
Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo, orquestra residente
Cintia Cunha, Marília Carvalho e Ornella de Lucca, solistas
Helder Trefzger, regente
Antonio Carlos Gomes
Abertura de Il Guarani
Come serenamente (Lo Schiavo)
Ahimè! Dove sono? – Ad ogni mover (Fosca)
Inno della libertà (Lo Schiavo)
Marcus Siqueira
Navegar por dentro (O Tempo e o Mar)
André Mehmari
Com quem será que Flora vai casar (A Procura da Flor)
Adeus, cidade (A Procura da Flor)
Mauricio De Bonis
Ária da Warren (A Profissão da Senhora Warren)
Marcus Siqueira
Ária de Laura (Conto de Julia)
Ária de Cassandra (Clitemnestra)
Este programa, integralmente dedicado à ópera brasileira, promove um diálogo entre tradição e renovação. Na primeira parte, serão apresentados excertos de obras de Antonio Carlos Gomes, compositor que fez grande sucesso na Itália e no Brasil no século XIX e inscreveu seu nome na história do gênero. Na segunda parte, serão apresentadas árias das óperas produzidas pelo Núcleo de Criação de Ópera do Festival de Música Erudita do Espírito Santo entre 2022 e 2025.
O programa tem início com a abertura da ópera Il Guarany (1870). Baseada no romance de José de Alencar, narra a história de amor entre o indígena Peri e Ceci, jovem da aristocracia.
Lo Schiavo (1889) retrata a paixão entre Américo e a indígena Ilara, dificultada pelo pai do jovem, que tem outros planos para seu futuro. Na ária Come Serenamente, Ilara canta seu enorme amor por Américo. A ária Inno della libertà é cantada pela Condessa de Boissy, personagem francesa que seria a prometida a Américo, durante o momento em que ela anuncia a libertação de seus escravos.
A ópera Fosca (1873) narra a paixão doentia de Fosca pelo capitão veneziano Paolo. Na ária Ahimè! Dove sono? – Ad ogni mover, Délia, noiva de Paolo, canta o desespero de não saber se ele está vivo e o desejo de reencontrá-lo.
No ciclo de canções O Tempo e o Mar (2022) de Marcus Siqueira sobre textos de Geraldo Carneiro, são exploradas as diferentes instâncias em que o tempo afeta as experiências humanas. Na canção Navegar por dentro, uma sensação de suspensão do tempo, marcada por uma harmonia estática, faz contraposição a um leve pulsar como o de um relógio.
A Procura da Flor (2022) é baseada no romance Esaú e Jacó de Machado de Assis, com libreto de Geraldo Carneiro e música de André Mehmari. Na história, transcorrida no século XIX, os gêmeos Pedro e Paulo, ambos apaixonados por Flora, representam opostos: um monarquista e outro republicano. Na ária Com quem será que Flora vai casar?, a mãe dos gêmeos se questiona sobre qual deles será escolhido pela jovem, e narra o futuro que ela teria ao lado de cada um. Na ária Adeus, cidade, Flora despede-se de sua cidade. Deixa para trás, com tristeza, parte de sua vida e os sonhos de menina.
Contos de Júlia (2023), com libreto de Verônica Stigger e música de Marcus Siqueira, baseia-se em três contos da escritora Júlia Lopes de Almeida. A Ária de Laura é baseada no conto In Extremis, em que Laura, casada com o Dr. Seabra, é apaixonada por Bruno, que está no leito de morte. Na ária, Laura canta o amor proibido que nunca se concretizou.
A Profissão da Senhora Warren (2025), composta por Maurício De Bonis sobre libreto coletivo no Núcleo de Criação de Ópera da 13ª edição do Festival, é baseada na peça homônima de Bernard Shaw. Retrata a história de Warren, uma mulher de origem humilde que precisou se prostituir para dar à sua filha uma boa condição social. Na Ária da Warren, ela conta sua história e expõe a hipocrisia da sociedade.
Por fim, Clitemnestra (2024), com libreto de Livia Sabag e João Luiz Sampaio e música de Marcus Siqueira, reapresenta a tragédia de Ésquilo em que a rainha Clitemnestra se vinga de seu marido, Agamênon, por ter entregado a própria filha, Ifigênia, em sacrifício à deusa Ártemis. Na ária de Cassandra, a protagonista tem a premonição do destino que a espera após consumar sua vingança.
Fernando Magre