Concerto de Abertura: Ópera Helena

8/11, às 20h
Theatro Carlos Gomes

Concerto de Abertura: Ópera Helena

Rodrigo Esteves, Monique Galvão, Rafael Stein, Alessandro Santanna e Carlos Alexandre Kelert Elenco

Gabriel Rhein-Schirato Regência

Menelick de Carvalho Direção Cênica

Fabio Bezuti Preparação vocal

Giorgia Massetani Cenografia

Fabio Namatame Figurino

David Scardua Visagismo

Na abertura desta 14ª edição, o Festival apresentará a ópera Helena, do compositor brasileiro João Gomes de Araujo (1846-1943), com libreto de Bento de Camargo. Composta em 1906 e estreada em 1916, não há registros de encenações posteriores ou quaisquer gravações, o que configura esta apresentação no Festival como uma espécie de reestreia mundial.

João Gomes de Araujo nasceu em Pindamonhangaba no Estado de São Paulo. Após iniciar seus estudos na cidade natal, seguiu para o Conservatório de Música do Rio de Janeiro. Após estrear suas primeiras obras nos anos de 1880, recebeu auxílio financeiro do Imperador Pedro II para aperfeiçoar-se em Milão, onde estudou por cerca de quatro anos. 

Fixando-se em São Paulo, foi um dos fundadores do Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde permaneceu, por quase quarenta anos, como um dos principais professores.

Para além da música instrumental, Gomes de Araujo possui vasta obra vocal: além de quatro óperas, escreveu onze missas, obras para coro, solistas e orquestra, muitas canções de câmara, e ainda composições e arranjos para coro. 

Helena, a última de suas óperas, representa uma guinada na obra do compositor tanto pela temática e características brasileiras, quanto por ser cantada em português. Seu libreto é livremente inspirado no romance Inocência, de Visconde de Taunay. 

A ação se passa em uma fazenda em um dia de festa de São João. A protagonista Helena é uma jovem camponesa que foi criada por Silveira, dono da propriedade. No passado, a moça havia sido prometida para Rogério, o administrador local. No entanto, Helena é, na verdade, apaixonada por Júlio, um jovem estudante morador da cidade grande. Em um único ato, desenvolve-se uma história de amor, ciúmes, violência e morte.

Em termos musicais, sua cor local remonta à música regional brasileira de tradição oral. Não se trata, contudo, da estética nacionalista como se entenderá após a Semana de 22. Trata-se de uma obra do romantismo, com inspirações no verismo italiano – particularmente na Cavalleria Rusticana, de Pietro Mascagni. 

Embora não existam registros sobre as motivações que levaram à criação da obra, sabe-se que sua estreia aconteceu no Theatro Municipal de São Paulo por uma nominada “Companhia Lírica Brasileira”, liderada por um cantor bastante conhecido na época chamado Mário Pinheiro. Estamos falando aqui de um grupo de artistas brasileiros que buscavam voz e espaço para a ópera nacional em um ambiente totalmente dominado pelo gosto e pelas companhias europeias. É interessante observar que, embora tenha sido criada em português, Helena recebeu uma versão em italiano. 

Esta obra representa uma página importante e muito significativa da ópera brasileira. Pelo seu valor artístico intrínseco, por suas características e pelo contexto de sua estreia, acima comentados. E significativa também, por ter sido quase totalmente esquecida, por não possuir qualquer registro fonográfico e ter sido dada praticamente como perdida até poucos anos atrás, quando os manuscritos foram resgatados junto ao acervo do extinto Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. 

É com grande alegria que convidamos o público a conhecer esta belíssima ópera que, 110 anos depois de sua estreia, volta aos palcos através do Festival de Música Erudita do Espírito Santo, que investiu na edição de todos os materiais e na apresentação pública da obra que será transmitida ao vivo pela internet e ficará disponível na página do youtube do Festival.

Desejamos a todos um ótimo espetáculo!

Gabriel Rhein-Schirato, consultor musical do Festival e autor da tese A linguagem e o percurso de João Gomes de Araujo no Teatro de Ópera.