Sobre os projetos

Além dos concertos e espetáculos apresentados no mês de novembro, a programação do Festival é formada também por diversos projetos que acontecem ao longo de todo o ano. São eles, o VOE (Vitória Ópera Estúdio), programa de formação e aperfeiçoamento para estudantes e profissionais da área de ópera; o Núcleo de Criação de Ópera, que promove a criação de novas óperas brasileiras a partir de processos colaborativos; o Concurso de Canto Natércia Lopes, único no Brasil que não estabelece uma idade limite para os participantes; o Opera-cional, projeto de capacitação profissional em funções técnicas de espetáculos operísticos; o Concertos Itinerantes e o Ópera nos Bairros, voltados para comunidades e setores da sociedade que geralmente não têm acesso às salas de espetáculo. 

Vitória Ópera Estúdio (VOE)

O Vitória Ópera Estúdio (VOE) é um programa de formação e aperfeiçoamento para estudantes e profissionais da área de ópera, criado por Livia Sabag e Tarcísio Santório em 2014. Foi um dos primeiros programas nacionais intensivos de formação e especialização voltados para artistas do campo da ópera.

Suas edições anteriores contaram com a participação de grandes nomes do Brasil e do exterior, como os preparadores vocais e professores de dicção Jocelyn Duek e Fabio Bezuti, os encenadores Marc Verzatt, Livia Sabag e Marco Gandini, o maestro Gabriel Rhein-Schirato, o cenógrafo Nicolás Boni, o jornalista João Luiz Sampaio e os cantores Maria Russo e Fernando Portari. 

2026 – 7º VOE

A edição deste ano aconteceu entre os dias 30 de junho e 16 de julho e teve a ópera Monsieur Choufleuri restera chez lui, de Jacques Offenbach, como objeto de estudo. Foram oferecidos quatro módulos de formação: interpretação musical e cênica, regência, direção cênica e correpetição, com aulas ministradas por Pedro Ribeiro, Gabriel Rhein-Schirato e Fabio Bezuti.O projeto foi concluído com as apresentações de uma montagem de Monsieur Choufleuri, com direção cênica do português Pedro Ribeiro, na série Quarta e Quinta Clássica da Orquestra Sinfônica do Estado Espírito Santo, nos dias 14 e 16 de julho, no Palácio da Cultura Sônia Cabral, em Vitória.

Concurso de Canto Natércia Lopes

Criado em 2022, com direção geral de Tarcísio Santório, direção artística de Livia Sabag e coordenação de Gabriel Rhein-Schirato, o Concurso de Canto Natércia Lopes tem como principal objetivo o fomento do canto lírico no Brasil. 

É o único concurso nacional que não estabelece um limite máximo de idade para os participantes. Oferece prêmios em dinheiro a diferentes categorias, e a oportunidade de participação em um concerto com a OSES – Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo – no encerramento do Festival.

2026 – 5º Concurso 

A quarta edição do concurso aconteceu entre os dias 3 e 6 de setembro, no Theatro Carlos Gomes, em Vitória.

A banca julgadora foi formada por profissionais de referência do meio operístico: Eiko Senda, cantora e diretora da Cia de Ópera do Rio Grande do Sul; Gabriel Rhein-Schirato, maestro e presidente da banca; Helder Trefzger, maestro titular da Orquestra Sinfônica do Espírito Santo; Livia Sabag, diretora cênica e artística do Festival de Música do Espírito Santo; Lorena Espina, cantora e professora da Faculdade de Música do Espírito Santo.

Os classificados em primeiro lugar de cada categoria cantarão no Concerto de Encerramento do Festival, junto à Orquestra Sinfônica do Estado do Espírito Santo, dia 28 de novembro, no Teatro SESC Glória, em Vitória.

Opera-cional

O Opera-cional é um projeto de capacitação profissional para pessoas interessadas em atuar nas funções técnicas de espetáculos operísticos.

Suas edições anteriores ofereceram cursos com os iluminadores Fabio Retti e Valéria Lovato, a figurinista Luza Carvalho, a diretora de palco Helen Ferla e o cenotécnico Alicio Silva.

Opera-cional

Em 2026, o Opera-cional receberá a produtora Renata Borges para ministrar um curso sobre produção cultural de música de concerto e ópera, que acontecerá durante a preparação do espetáculo de abertura da 14ª edição do Festival.

Ementa

Panorama integrado da gestão e produção executiva de espetáculos operísticos e grandes formatos cênico-musicais. O curso aborda os processos de produção dividida em três eixos estruturantes: Pré-Produção (Alinhamento Estratégico), Produção/Execução (Comunicação Efetiva e Prática de Palco) e Pós-Produção (Desmobilização, Salvaguarda e Memória). A partir da análise de libretos, partituras reduzidas (canto e piano), organogramas e instrumentos de controle de bastidores, a formação conecta o rigor técnico do planejamento à dinâmica viva dos ensaios e da montagem no palco do teatro.

Renata Borges

Renata Borges é produtora cultural, gestora e pesquisadora, mestranda em Economia da Cultura (UFRGS) e tecnóloga em Processos Gerenciais (FGV/RJ). Com sólida trajetória na gestão artística e operacional de equipamentos culturais e grandes eventos, acumula ampla experiência na coordenação, orçamentação e viabilização de projetos nas artes performáticas e na música de concerto. À frente de montagens operísticas e projetos de formação, dedica-se a conectar planejamento estratégico, sustentabilidade financeira e prática de palco na produção cultural.

Curso: Produção em música de concerto e ópera
Público-alvo: Produtores culturais, técnicos de palco, assistentes de produção e profissionais das artes cênicas do Espírito Santo.
Professora: Renata Borges
Carga horária: 9 horas (3 encontros de 3h)
Formato: 1 dia teórico-reflexivo (sala de aula) + 2 dias de vivência prática e imersão no teatro
Datas: 30/10, 31/10  e 1/11 

Concertos Itinerantes

A série Concertos Itinerantes é parte de um conjunto de iniciativas do Festival voltadas a comunidades e setores da sociedade que geralmente não têm acesso às salas de espetáculos e demais espaços culturais. 

Tem como principal objetivo a democratização do acesso à cultura através da apresentação de repertórios pensados especialmente para públicos que têm pouco contato com a música de concerto.

2026

Este ano, a série realizará três apresentações do concerto cênico Travessia, em cidades do Estado do Espírito Santo.

O programa traz obras para voz, violão e percussão, dos compositores brasileiros Dorival Caymmi, Heitor Villa-Lobos, Baden Powell e Vinícius de Moraes, César Guerra-Peixe, Eunice Katunda, Caetano Veloso, João Bosco e Aldir Blanc.

Orquestras em Rede

Em sua 14ª edição, o Festival de Música Erudita do Espírito Santo lança o projeto Orquestras em Rede, um braço da série Concertos Itinerantes, que promoverá ações artístico-pedagógicas através do intercâmbio entre orquestras profissionais e orquestras de projetos sociais.

Esta iniciativa tem como objetivo contribuir para o crescimento artístico e técnico dos músicos das orquestras e o fortalecimento dos vínculos entre os núcleos envolvidos – orquestras e comunidades.

No dia 22/11, a Orquestra Sinfônica do Estado Espírito Santo – orquestra anfitriã – e orquestras sociais do estado estarão juntas em um concerto no Parque Cultural Casa do Governador. A apresentação contará também com a participação da pianista convidada Erika Ribeiro.

Ópera nos bairros

O Ópera nos Bairros faz parte do compromisso do Festival de levar arte e cultura a todos, em sintonia com os projetos sociais apoiados pela Shell e pela Edp.

As primeiras edições do projeto contaram com a participação da companhia de teatro de bonecos Pequeno Teatro do Mundo, que circulou por várias cidades do estado do Espírito Santo apresentando os espetáculos Rossini por um fio, criado a partir de obras do compositor italiano Gioachino Rossini, e Onheama, uma adaptação da ópera homônima do compositor brasileiro João Guilherme Ripper. 

Em 2025, o Ópera nos Bairros apresentou Filhote de Trem, um espetáculo cênico-musical inspirado na obra homônima da escritora paulista Memélia de Carvalho, com música de  Heitor Villa-Lobos, Carlos Gomes e Chiquinha Gonzaga. 

2026 

Nesta 5ª edição, voltamos a circular com Filhote de Trem por diferentes cidades do Estado do Espírito Santo.

O espetáculo conta a história do sonhador Piuí, um trenzinho que busca uma vida diferente da que os pais, e a sociedade dos trens, imaginaram para ele. Piuí quer ser livre, quer trilhar caminhos novos e voar alto, muito alto.

O elenco será formado pela soprano Débora Neves, o violoncelista Jonathan Azevedo e o percussionista Gabriel Novais.

​A idealização do espetáculo é de Livia Sabag, a direção musical, adaptação e arranjos, de Belquior Guerrero, e a direção cênica, adaptação, figurinos e adereços, de Tamara Lopes.

Núcleo de Criação de Ópera

O Núcleo de Criação de Ópera é uma iniciativa do Festival de Música Erudita do Espírito Santo que promove a criação de novas óperas brasileiras a partir de processos de trabalho colaborativos que envolvem artistas da casa e artistas convidados em cada edição.

Coordenado por Livia Sabag, encenadora e diretora artística do Festival, e por Gabriel Rhein-Schirato, maestro e consultor musical do Festival, o Núcleo nasceu da ideia de se criar um espaço permanente onde artistas de diferentes áreas pudessem, através de encontros regulares, realizar um processo no qual texto, música e encenação fossem construídos em diálogo.

Dentre os principais objetivos do Núcleo, destacamos o fomento a novas óperas brasileiras, a experimentação de novas linguagens artísticas em diálogo com o repertório histórico, a abordagem de temáticas que refletem a pluralidade da sociedade dos nossos tempos, além das práticas colaborativas de trabalho e o intercâmbio de artistas capixabas com artistas de outros estados e países.

​As primeiras experiências aconteceram na edição comemorativa dos dez anos do Festival, em 2022, com a encomenda da ópera A Procura da Flor, composta por André Mehmari com libreto de Geraldo Carneiro, e do ciclo de canções O Tempo e o Mar, com poemas de Carneiro e música de Marcus Siqueira.

O Núcleo seguiu, a partir daí, a sua parceira com Siqueira, que em 2023 compôs Contos de Julia, com libreto de Veronica Stigger, inspirado em contos da escritora Júlia Lopes de Almeida, e com a colaboração da soprano Eliane Coelho e do jornalista João Luiz Sampaio, curador convidado da 11ª edição.

Na 12ª edição do Festival, o Núcleo deu mais um passo em seus processos de trabalho, com a criação de Clitemnestra, ópera livremente inspirada na Oresteia de Ésquilo, com música de Siqueira, libreto de Livia Sabag e João Luiz Sampaio, e colaboração do maestro Gabriel Rhein-Schirato.

Em 2025, o Núcleo voltou a contar com a colaboração de Eliane Coelho, na criação da ópera A profissão da Senhora Warren, em quatro atos, uma adaptação da peça homônima do autor irlandês Bernard Shaw com música de Maurício De Bonis e libreto de Sabag, Coelho, Rhein-Schirato e do próprio De Bonis. 

2026

Depois de quatro anos consecutivos de estreias de novas criações, a partir de 2026, o Núcleo expandirá o seu campo de atuação, voltando-se também para a recuperação, edição e montagem de obras brasileiras, ou cantadas em língua portuguesa, desconhecidas do público.

Na abertura desta 14ª edição, o Festival apresentará a ópera Helena, do compositor brasileiro João Gomes de Araujo, com libreto de Bento de Camargo. Composta em 1906 e estreada em 1916, não há registros de que Helena tenha sido novamente encenada e tampouco gravada, o que configura esta apresentação no Festival como uma espécie de reestreia mundial.

Graças à recuperação, ainda que parcial, do acervo do antigo Conservatório Dramático e Musical de São Paulo em anos recentes, pudemos ter acesso ao legado operístico de Gomes de Araujo. De Helena, localizamos o manuscrito da partitura orquestral e, a partir dele, produzimos uma edição digitalizada completa da obra, inclusive com extração das partes orquestrais e elaboração de uma redução para canto e piano.